A Aliança dos Estados do Sahel (AES) continua a avançar seu desenvolvimento soberano, estabelecendo maior controle sobre recursos e infraestruturas essenciais enquanto garante que os serviços públicos atendam às necessidades básicas do povo. Em julho e agosto, houve um esforço inspirador na construção de infraestruturas que serão a base do desenvolvimento.
No dia 25 de julho, o presidente de Burkina Faso, Capitão Ibrahim Traoré, inaugurou a Barragem de Pô Kapro na região de Nazinon — construída para prover água potável, irrigação e gerar empregos. Ano passado, o governo também reativou a Secretaria Nacional para Barragens e Desenvolvimento Hidro-Agrícola com um investimento de 13.5 bilhões de CFA (aproximadamente $24 milhões, em dólares). A Secretaria já havia reativado a Barragem de Kokologho após quase dois anos de inatividade, além de anunciar planos para dragar 100 barragens e construir 11 novas até 2030, buscando impulsionar a segurança alimentar e de saneamento. A Barragem de Pô Kapro foi prometida diversas vezes desde os anos 60, mas nunca foi concluída. Em contraste, o governo revolucionário burkinabe completou sua construção em apenas 8 meses!
Em 15 de agosto, o Níger assinou um acordo de $1.9 bilhões (em dólares) para construir uma refinaria de petróleo com capacidade de 100 mil barris por dia em Dosso. O projeto seguirá um modelo de “Construir-Operar-Transferir” e durará 16 anos. Após 3 anos de construção e 13 anos de operação, a propriedade será completamente estatal. Este projeto impulsionará em 5 vezes a capacidade de refino do Níger, que tem reservas de petróleo estimadas em 3 bilhões de barris. Com esta nova refinaria, a segunda do país, o Níger continua a transição da exportação de petróleo bruto para o processamento nacional. O acordo coincide com as operações de energia da região, incluindo as iniciativas conjuntas de escavação com a Algéria no bloco petrolífero no norte do Kafra e a parceria na proposta do Projeto do Gasoduto Transaariano (TSGP). A TSGP deve transportar o gás nigeriano através da infraestrutura nigerina e algeriana antes de ser enviada à Europa.
Estes projetos de energia também ajudam a Confederação AES a afirmar seu controle sobre seus recursos naturais, além de construir novas parcerias técnicas para além das empresas ocidentais, refletindo uma clara e coordenada estratégia para a independência econômica.
O governo maliano também continua a desenvolver sua indústria de mineração local. Tendo estabelecido controle aumentado do Estado sobre a mineração através do novo Regimento da Mineração de 2023, o governo tem garantido que o povo colha os benefícios através do investimento em infraestrutura e do desenvolvimento técnico. O país anunciou no início de agosto que busca utilizar 500 bilhões de CFA ($883,1 milhões, em dólares) adquiridos na mineração em energia, água e infraestrutura de transporte. Em março de 2026, o Fundo de Desenvolvimento da Mineração Local redistribuiu $33 milhões (em dólares) em lucros aos municípios ao redor do país, especialmente pequenas comunidades de mineração. Embora a prioridade seja reciclar o lucro para infraestrutura crítica, sistemas de saúde e serviços sociais nestas comunidades, o sistema de redistribuição garante que regiões não-mineradoras também recebam algum benefício. O governo também está treinando especialistas em mineração nacionalmente: sob uma nova iniciativa, lançada em agosto e dirigida pela Diretoria-Geral de Educação Superior e Pesquisa, 30 bolsas de mérito estão disponíveis, mirando na construção do gerenciamento soberano de recursos e apoio à indústria extrativista local.
Burkina Faso também tem enfatizado o desenvolvimento técnico como um aspecto crucial na construção da soberania. A Academia Tecnológica de Faso é uma nova instituição educacional de elite, estabelecida pelo presidente em julho de 2026. De acordo com o governo, a missão da Academia é treinar profissionais capazes de projetar, manufaturar e inovar para apoiar a transformação industrial de Burkina Faso.
O governo de Burkina Faso também tem mantido claro que ele não se submeterá a condições de financiamento que empobrecem a população e impedem sua capacidade de se industrializar e educar seu povo. Em 18 de agosto, o primeiro-ministro, Rimtalba Jean Emmanuel Ouedraogo, confirmou que o progresso do país no desenvolvimento é através do uso de seus próprios recursos e a rejeição de qualquer financiamento que seja acompanhado de condições políticas. “Nós estamos recusando financiamento que nos coloque sob ordens”, disse após uma reunião com o Subsecretário-Geral da ONU e o administrador adjunto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Haolian Xiu, se referindo ao programa de Burkina Faso “RELANCE” (Plano de Desenvolvimento Nacional), que foi lançado em março.
O recorde impressionante dos países da AES se baseia num entendimento claro e prático do imperialismo como um sistema que ataca o desenvolvimento local para acelerar a extração de recursos. Em 19 de agosto, o Níger hospedou uma conferência com o tema “A luta pela Soberania no contexto da Confederação dos Estados do Sahel: uma perspectiva histórica”, presidida por Bassolma Bazia, Presidente da Comissão Nacional da Confederação dos Estados do Sahel. Durante a conferência, os participantes discutiram o legado colonial do Sahel, enfatizaram que os recursos locais devem beneficiar a população regional, e concentrou esforços em impulsionar a cooperação ministerial.
O Níger e Burkina Faso marcam seus dias da “independência” em agosto — Níger no dia 3, Burkina Faso no dia 5. O Presidente Ibrahim Traoré endereçou-se aos cidadãos do país para que entendam que as esperanças de uma verdadeira independência foram atacadas por “constantes manobras para a dominação e roubo dos recursos nacionais” que resultaram no empobrecimento e insegurança das massas. Ele chamou-as para lembrar que seu dever coletivo é devotar-se firmemente à “construir uma nova Burkina Faso — dignificada, verdadeiramente livre, independente e soberana”.
Vida longa à Confederação AES!

